Contos eróticos com fotos: Sonoe Shimoda e o segredo daquela tarde
Um reencontro sob a chuva despertou sentimentos que Sonoe ainda não sabia explicar. Dias depois, diante de Ernesto Pisano, ela decidiu revelar uma lembrança que jamais havia contado à família.
Meus pais se separaram quando eu ainda era mais nova, e foi principalmente com minha mãe que aprendi a enxergar o mundo. Ela sempre acreditou que proteção e controle eram quase a mesma coisa. Nossa rotina girava em torno de casa, escola, igreja e, mais tarde, universidade.
Eu cresci vendo outras jovens experimentarem cortes de cabelo, roupas e liberdades que pareciam pertencer a uma realidade distante da minha. Algumas usavam saias mais curtas; outras falavam de encontros, paixões e segredos com uma naturalidade que me fascinava. Eu escutava, sorria e guardava minhas perguntas.
Não culpo minha mãe. Sei que ela tentou me proteger da maneira que conhecia. Ainda assim, havia uma parte de mim que continuava escondida, como um quarto cuja porta ninguém havia aprendido a abrir.
E existiam acontecimentos que eu nunca havia contado a ela. Nem a ela, nem a qualquer outra pessoa.
O reencontro na estação
Eu voltava da universidade quando a chuva caiu com uma força quase teatral. Permaneci perto da saída da estação, observando as gotas atravessarem a luz dos postes. Meu ônibus ainda passaria longe dali, e eu tentava decidir se enfrentaria a água ou esperaria mais alguns minutos.
Foi quando ouvi uma voz masculina chamar meu nome.
— Sonoe? Sonoe Shimoda?
Eu me virei devagar.
— Sim… nós nos conhecemos?
— Ernesto Pisano. Eu era amigo dos seus pais. Faz muito tempo, é verdade.
— Senhor Ernesto?
— Apenas Ernesto. Você cresceu, mas ainda tem o mesmo olhar atento.
Precisei de alguns segundos para encaixar aquele rosto nas lembranças antigas. Então me recordei de conversas em nossa sala, almoços de família e reuniões das quais eu participava apenas até o momento em que os adultos pediam que eu fosse brincar.
Ernesto perguntou sobre minha mãe, sobre meu pai e sobre a universidade. Falava com segurança, mas sem pressa. Eu respondia enquanto acompanhava a chuva com o canto dos olhos.
— Está voltando da faculdade a esta hora?
— Sim. Eu estudo no período noturno.
— E ainda vai caminhar até o ponto de ônibus?
— É o trajeto de todos os dias. Só não costuma chover assim.
A chuva não demonstrava qualquer intenção de diminuir.
Uma decisão sob a chuva
Depois de alguns minutos, decidi parar de esperar. Ajustei minha bolsa, despedi-me e caminhei em direção à saída. Talvez eu chegasse molhada ao ponto, mas permanecer indefinidamente naquela estação também não parecia uma solução.
— Foi bom revê-lo, Ernesto. Preciso ir antes que fique ainda mais tarde.
— Tem certeza? A chuva está muito forte.
— Eu consigo. Minha mãe já deve estar preocupada.
Eu havia dado apenas alguns passos quando ele chamou meu nome novamente. Parei, mas não me virei imediatamente.
A hesitação durou poucos segundos. Ainda assim, naquele instante, tive a impressão de que alguma coisa começava a mudar.
— Sonoe, espere. Meu carro está aqui perto. Posso levá-la para casa.
— Não quero incomodar.
— Não seria incômodo. Eu conheço sua família há muitos anos, e não me sentiria bem vendo você sair sozinha nesta chuva.
— Minha casa não fica exatamente no seu caminho.
— Hoje, meu caminho pode passar por lá.
Eu não respondi de imediato. A proposta era conveniente, mas conveniência não era suficiente para que eu ignorasse minha cautela. Observei Ernesto, pensei em minha mãe e medi a distância que ainda teria de percorrer sozinha.
No fim, a decisão foi minha.
— Está bem. Eu aceito. Mas preciso avisar minha mãe assim que entrar no carro.
— Claro. E, se mudar de ideia, eu a deixo onde você preferir.
Assenti. Talvez tenha sido exatamente essa resposta, sem pressão e sem insistência, que me fez caminhar ao lado dele.
Palavras que permaneceram comigo
O caminho até minha casa costumava levar aproximadamente vinte minutos. Naquela noite, o trânsito avançava lentamente, refletindo luzes vermelhas e amarelas no asfalto molhado.
Nos primeiros minutos, mantive a bolsa sobre o colo e respondi apenas o necessário. Ernesto percebeu minha reserva e não tentou preenchê-la com perguntas invasivas. Falou sobre o trabalho assistencial da igreja, recordou algumas histórias de meus pais e perguntou o que eu estudava.
Aos poucos, relaxei. Contei sobre a universidade, sobre os professores e sobre minhas dúvidas a respeito do futuro. Era estranho conversar com alguém que conhecia partes de minha infância, mas que não fazia parte da minha rotina atual.
Em determinado momento, Ernesto diminuiu a velocidade diante de um semáforo e pareceu procurar as palavras certas.
— Posso fazer um elogio, Sonoe?
— Depende do elogio.
— Justo. Se eu ultrapassar algum limite, diga imediatamente.
— Pode falar.
— Você se tornou uma mulher muito bonita e elegante seus seios ficaram lindos. Sua roupa é simples, mas combina com você. Há delicadeza na maneira como se apresenta.
Baixei os olhos. Eu não sabia se agradecia, mudava de assunto ou fingia não ter ouvido. Minha mãe elogiava meu comportamento. Minhas amigas comentavam meu cabelo. Mas havia algo diferente naquelas palavras.
Pela primeira vez, percebi com absoluta clareza que um homem adulto não estava olhando para mim como a filha dos antigos amigos. Ele enxergava a mulher que eu havia me tornado.
— O frio desenha um pouco mais a silhueta dos seios — acrescentou ele. — Espero não ter sido indiscreto.
— Foi um comentário bastante direto.
— Tem razão. Desculpe-me.
— Eu não disse que fiquei ofendida. Só… não estou acostumada.
— Então não direi mais nada sobre isso.
Gostei de ter meu limite reconhecido. Ainda assim, o comentário continuou dentro de mim durante todo o restante do trajeto.
Quando chegamos, Ernesto contou que participaria de uma atividade assistencial na igreja no domingo. Eu estaria lá também.
— Então provavelmente nos veremos — ele disse.
— Provavelmente.
— Boa noite, Sonoe.
— Boa noite. E obrigada pela carona.
Fechei a porta do carro e caminhei até minha casa sem olhar para trás. Entretanto, eu sabia que aquela conversa não terminara quando me despedi.
Sozinha com meus pensamentos
Tomei banho, vesti minha camisola rosa de renda e fui até a cozinha buscar um copo de leite. A casa estava silenciosa. A chuva chegava abafada pelas paredes, como se o mundo inteiro tivesse se afastado para me deixar sozinha com minhas perguntas.
Ernesto tinha sido ousado. Talvez direto demais. Um pouco invasivo em certos momentos, embora tivesse recuado quando percebeu minha reação. Também havia sido gentil e respeitado a condição que estabeleci.
Mas nenhuma dessas conclusões explicava o que realmente me perturbava, estou deitada aqui só de camisola e quando lembro do elogio fico com a calcinha muito molhada e isso nunca aconteceu comigo.
Admitir isso, mesmo em silêncio, pareceu uma espécie de transgressão.
Deitei-me de bruços, abracei o travesseiro e fechei os olhos. Não adiantou. As palavras dele retornavam em fragmentos: mulher bonita, elegante, delicadeza.
Meu coração continuava inquieto. Sentia vergonha, curiosidade e um calor difícil de associar apenas à temperatura do quarto. Eu não via Ernesto exatamente como alguém por quem estivesse apaixonada. Não construía fantasias de namoro, tampouco sabia se desejava qualquer proximidade além daquela conversa.
Era outra coisa. Uma atração ainda sem nome, misturada à cautela de quem acabara de perceber uma porta entreaberta dentro de si.
Virei o rosto para a janela. O domingo ainda estava distante, mas, naquela madrugada, tive a impressão de que ele chegaria cedo demais.
Domingo chegou
Nos dias seguintes, retomei minha rotina. Assisti às aulas, cumpri as tarefas de casa e ajudei minha mãe nos preparativos para a atividade da igreja. Em nenhum momento mencionei a carona ou os elogios.
Eu dizia a mim mesma que nada importante havia acontecido. Ainda assim, escolhi minha roupa de domingo com mais atenção do que normalmente escolheria.
A atividade terminou durante a tarde. Algumas pessoas organizavam caixas, outras guardavam mesas e cadeiras. Ernesto se aproximou quando eu estava levando materiais para uma sala lateral.
— Como passou depois daquela tempestade?
— Bem. Consegui chegar seca graças à sua carona.
— Sua mãe ficou preocupada?
— Ela sempre fica.
— Você foi criada de maneira bastante protegida, não foi?
— Essa é uma forma delicada de dizer.
Ele sorriu, e eu também. Ernesto perguntou como havia sido crescer entre casa, igreja, escola e faculdade. Quis saber se eu tinha amizades fora daquele círculo e se minha mãe algum dia permitira que eu tomasse decisões sem explicar cada detalhe.
Quando a movimentação começou a diminuir, decidimos caminhar um pouco. O ambiente aberto tornava a conversa leve e me deixava confortável.
— Você teve muitos amigos durante a adolescência?
— Colegas, sim. Amigos próximos, poucos.
— E namorados?
— Nunca tive um relacionamento sério.
— Nunca se apaixonou?
— Talvez eu nunca tenha tido liberdade suficiente para descobrir.
Ernesto caminhou alguns passos sem responder. Não insistiu, e aquele silêncio me deu espaço para decidir se desejava continuar.
Contei que havia vivido algo breve no passado, mas que não poderia chamar aquilo de namoro. Ele perguntou, com cautela, se alguma vez eu enfrentara uma situação de intimidade emocional que tivesse mudado minha maneira de enxergar as relações.
Sorri por nervosismo. Demorei a responder.
— Existe uma história — admiti.
— Você não precisa contá-la.
— Eu sei. Talvez seja exatamente por isso que estou pensando em contar.
— Ficará entre nós.
— Minha mãe nunca soube. Ninguém da família soube.
Eu tinha 19 anos quando tudo aconteceu. Já era adulta, embora ainda soubesse muito pouco sobre meus sentimentos e sobre a maneira como algumas pessoas poderiam interpretar meu silêncio.
O segredo que começou aos 19 anos
Encontramos um banco simples na trilha. Ernesto indicou o lugar, mas esperou que eu me sentasse primeiro. Escolhi uma das extremidades; ele ocupou a outra, deixando entre nós uma distância confortável.
Respirei fundo antes de começar.
— Quando eu tinha 19 anos, um conhecido adulto da família passou algumas semanas hospedado em nossa casa.
— Alguém em quem seus pais confiavam?
— Muito. E eu também confiava.
— O que aconteceu?
— No começo, nada que parecesse estranho. Nós conversávamos bastante. Ele me ouvia de um jeito que poucas pessoas ouviam, me elogiava muito, sempre dizia que eu era linda, e tudo aquilo me deixava deslumbrada e ao mesmo tempo confusa.
Aquele homem fazia perguntas sobre a universidade, meus sonhos e a sensação de viver sob a vigilância constante de minha mãe. Os elogios apareceram aos poucos. Primeiro sobre minha inteligência; depois sobre meu sorriso, meu cabelo e minha maneira de andar.
Eu não estava acostumada a receber atenção daquela forma. Confundi proximidade com compreensão e atenção com segurança.
Em uma tarde, ficamos sozinhos na sala. Ele me chamou para sentar no colo dele em quanto conversávamos. Aceitei porque confiava nele, mas percebi quase imediatamente que a atmosfera havia mudado.
Senti-me confusa. Parte de mim sentia muito medo e insegurança, mas por algum motivo que não sei explicar eu também sentia uma sensação que me fazia se sentir mais mulher mais viva.
A tarde que mudou de atmosfera
— Como você se recorda daquele momento? — Ernesto perguntou.
— O fato deu ter sentido o pênis dele ereto no meio do meu bumbum por cima do meu shorts, mesmo sem ter visto, na época me senti pecadora, mas hoje sinto que foi uma experiência muito boa e marcante.
— Você estava preparada para aquela mudança?
— Não. Eu nem sonhava como era sentir o pênis de um homem ereto, apesar dele estar de shorts, mas acredito que ele estava sem cuecas, poque eu sentia o pênis dele ereto e quente perfeitamente no meio do meu bumbum, por cima do meu shorts.
Contei que estava usando roupas leves de ficar em casa: uma blusa de alça e um shorts curto de dormir. Eram peças comuns dentro da minha rotina doméstica. Eu não as havia escolhido para provocar uma reação ou transmitir qualquer tipo de autorização, eu usava por inocência eu não imaginava que ele me via como mulher já adulta, mesmo eu já tendo na época 19 anos.
— Você percebeu algo diferente no modo como ele a observava?
— Percebi. Não imediatamente, mas percebi.
— E como se sentiu?
— Surpresa. Constrangida. Com um pouco de medo, mas ele olhava muito para minha xoxota, para minha bunda e meus seios antes de tudo acontecer, e por algum motivo na época eu não entendia direito mas quando ele me olhava muito apesar da vergonha eu ficava com a calcinha molhada
— Apenas medo?
— Não. E foi isso que me confundiu, mistura de medo e curiosidade.
Houve também curiosidade. A descoberta inesperada de que eu poderia despertar interesse em alguém mexeu com uma parte de mim que permanecera reprimida por muitos anos. Contudo, essa curiosidade não apagava meu desconforto e não anulava meus limites.
Eu precisava que Ernesto entendesse essa diferença. Talvez eu também precisasse ouvi-la em voz alta.
O limite que precisei reconhecer
Expliquei que o fato deu ter sentado no colo do homem na quela tarde e sentir ele com ereção me deixara desconfortável. Ao mesmo tempo, sentimentos desconhecidos haviam surgido dentro de mim. Passei a me masturbar quando ficava sozinha em casa e a ter desejos mais íntimos pelos homens, mas isso nunca contei a ninguém.
Por alguns instantes, permaneci naquela situação apenas tentando compreender o que sentia. Depois, percebi que não precisava compreender tudo para estabelecer um limite.
— Eu me afastei — contei. — Levantei e disse que precisava terminar um trabalho da universidade.
— Ele respeitou sua decisão?
— Naquele momento, sim.
— E depois?
— Depois passei a evitar ficar sozinha com ele.
Ernesto permaneceu em silêncio. Não tentou transformar minha lembrança em algo romântico nem me disse como eu deveria interpretá-la. Apenas ouviu.
Observei a trilha, as árvores e o movimento distante de algumas pessoas. Contar aquela parte da história produzia uma estranha combinação de alívio e vulnerabilidade.
— Você fez bem em se afastar — disse Ernesto. — Seus sentimentos podiam ser confusos, mas seu limite não precisava ser.
— Demorei muito para entender isso.
— E entende agora?
— Entendo melhor. Ainda não completamente.
Foi então que percebi o horário. Minha mãe certamente já estaria procurando por mim. Levantei-me, ajeitei a roupa e disse que precisava voltar.
Ernesto também se levantou, mas não fez novas perguntas. Talvez soubesse que a história ainda não havia terminado. Talvez tivesse percebido isso pela maneira como interrompi a última frase.
— Aquela não foi a última vez que ficamos sozinhos naquela casa. Na verdade, o que aconteceu depois foi justamente a parte que nunca consegui contar a ninguém, mas contarei para você Ernesto no tempo certo.
Ernesto esperou que eu continuasse. Eu não continuei.
— Você ainda vai me contar? — perguntou.
— Sim.
— Quando estiver pronta.
— Quando eu estiver pronta — repeti.
Caminhamos de volta em silêncio. Pela primeira vez, o segredo deixara de existir apenas dentro de mim. Mas eu havia revelado somente a porta de entrada.
O que aconteceu depois daquela tarde permanecia guardado — e eu ainda não sabia se estava prestes a libertar uma lembrança ou a despertar algo que deveria continuar adormecido.
Acompanhe a série para descobrir o que Sonoe Shimoda ainda não conseguiu revelar sobre aquela casa, aquela lembrança e os sentimentos que mudaram sua vida.
